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Yunus Corporate: Enfrentamento à Violência Doméstica não é um assunto só de mulheres

Confira as reflexões do nosso time sobre a jornada de construção de estratégia de impacto feita em parceria com a Ambev e a lista de organizações selecionadas do

Edital Ambev pelo Enfrentamento à Violência Doméstica


Em 2020 demos início a mais uma jornada de construção de estratégia de impacto social corporativa com a Ambev, nossa parceira de longa data. Durante seis dias, reunimos 15 pessoas entre especialistas, pesquisadoras, estudiosas e empreendedoras para uma imersão profunda no tema Violência Doméstica e todas as questões em torno desse problema social. Contamos com a nossa área de criação de Negócios Sociais Corporativos, Impact Venture, para mobilizar todos os saberes, da empresa e dos especialistas, para garantir que em pouco tempo, conseguiríamos ter um olhar amplo e profundo sobre o problema social.


O motivo desse encontro tinha uma proposta: encontrar uma solução prática e propositiva que contemplasse a natureza complexa e estrutural desse problema que, além de carecer de soluções urgentes, se agravou por conta da necessidade de isolamento social. Dados divulgados pelo Núcleo de Violência da Universidade de São Paulo revelaram que somente nos primeiros meses de pandemia - de março a abril de 2020 - houve um aumento de 22% nos casos de feminicídio. E dados compilados mostram que em 2020 o Brasil teve 12 denúncias de violência contra a mulher por hora.


Historicamente nossa cultura é baseada em uma ideia de dominância do homem sobre a mulher e, com isso, esses comportamentos nocivos têm sido naturalizados por anos

em diferentes esferas da sociedade, inclusive pelo poder público, o que tem contribuído para a perpetuação da violência em suas diferentes dimensões: física, psicológica, sexual, moral e patrimonial.


Então, por que é importante envolver uma empresa em um assunto tão delicado?


Um dos principais motivos é que acreditamos que o Enfrentamento à Violência Doméstica não é um assunto só de mulheres. É um assunto de todos no qual toda a população perde com isso, inclusive o setor privado.


Além disso, uma empresa que se propõe a criar impacto social deve buscar soluções para os problemas sociais que mais afetam a sociedade a fim de estabelecer um propósito que vá além do benefício para a própria marca, mas que, principalmente, gere transformação positiva, real e duradoura.


Com isso em mente - ao longo da imersão do Impact Sprint com diferentes especialistas e membros da empresa - ficou nítido que, por se tratar de um problema social histórico, estrutural e complexo, para construir uma solução consistente na jornada de enfrentamento seria necessário estar disposto a construir uma plataforma de soluções sistêmicas, que considerassem uma visão de curto, médio e longo prazo, envolvendo atores que impactam ou são impactados por esse problema.


E, como primeiro passo dessa agenda estratégica, entendemos que é essencial fortalecer aquelas que cuidam e apoiam as pessoas que estão em situação de violência, em sua maioria, mulheres. Diante disso, a jornada foi inaugurada com o lançamento do Edital Ambev pelo Enfrentamento à Violência Doméstica para o fortalecimento de iniciativas de diferentes regiões do Brasil, lideradas por mulheres, que já estão implementando soluções para o problema em suas diferentes dimensões.


Com um universo de mais de 400 iniciativas inscritas neste Edital, chegamos a 12 organizações que estão fazendo a diferença em seu contexto social - em muitos casos inclusive cobrindo as lacunas da atuação pública. Estas finalistas serão reconhecidas financeiramente com um repasse de R$12.500,00 para apoiá-las na continuidade do impacto positivo que estão promovendo em seu entorno. Confira as nossas 12 iniciativas contempladas:


Comando Mulher (@comandomulher) | Piauí Formação de mulheres (cis e trans) em multiplicadoras de informação sobre enfrentamento à VD através de aulas, rodas de conversa, blitz educativa, distribuição de materiais educativos.


Fortalecendo mulheres do Alto do Rosarinho (@rosarinhocecor) | Bahia Centro comunitário para acolhimento e acompanhamento psicossocial de mulheres em situação de VD. Oferece ações formativas e de conclusão escolar para autonomia, fortalecendo a quebra do ciclo de violência.


Central de confecção do Maracangalha (@gbeltraoatelier) | Pará Espaço seguro para capacitar mulheres como costureiras, visando independência econômica. Atua de forma micropolítica, promovendo rodas de acolhimento e incentivando produção social: eco-absorventes para mulheres em situação de cárcere.


Projeto Consciência Indígena: o novo olhar da mulher diante a violência (@pataxoparaty_oficial) | Rio de Janeiro Conscientização promovida pela associação local para mulheres e comunidades indígenas em direitos humanos e políticas públicas voltadas ao combate à violência contra as mulheres.


As Jogadeiras de Olinda (@pazearr) | Pernambuco Usa o futebol como ferramenta de transformação, empoderamento e inclusão para meninas, ao criar um espaço seguro para acompanhamento psicossocial, físico, educacional e profissional de equipe composta só por mulheres para o empoderamento feminino e enfrentamento à violência contra a mulher.


Em tempos de violência, nossa esperança é Garcia (@trupedemulheres) | Piauí Peça teatral itinerante, em espaços públicos, seguida de roda reflexiva com advogada, como um convite à plateia para dialogar sobre as diversas formas de violências contra as mulheres e o enfrentamento ao racismo.


Coletiva Cabras: Território Fértil (@coletivacabras) | Pernambuco Articulação de meninas e mulheres em atividades técnico-pedagógicas, rodas, formações e conteúdo na rádio comunitária "A Voz da Lama" para nova percepção sobre seus corpos, papéis sociais e meios de geração de renda, evitando assim que recorram à prostituição, ao tráfico, e à dependência de seus parceiros.


Projeto Formando Defensoras (@cddm_al) | Alagoas Fortalecimento e capacitação de mulheres como multiplicadoras da rede de defesa dos direitos femininos. Acolhe mulheres vítimas de violência com equipe multidisciplinar e escuta qualificada para que possam quebrar o ciclo de violência, além de encaminhar e acompanhá-las no processo de denúncia.


Vai levante feminista contra o feminicídio no Tocantins (@levantefeministato) | Tocantins Casa de acolhimento para fortalecimento de ações e agenda do Levante feminista contra o feminicídio no Tocantins, escuta ativa (presencial e online), encaminhamento terapeutico, abrigamento e proteção de mulheres ameaçadas de morte no estado.


Luz no fim do túnel: As Mulheres da Luz e a produção de sabões em barra (@ongmulheresdaluz) | São Paulo

Espaço que oferece auxílio psicológico e ações profissionalizantes (sabão, costura, vendas, finanças) para geração de renda e regate de mulheres da prostituição e de seus agressores. Hoje está no porão do prédio administrativo do parque da Luz.


Fortalecimento da Casa de Acolhimento às Mulheres Vítimas de Violência e Tráfico de Pessoas (@if.jaredeviana) | Alagoas Casa de acolhimento de mulheres vítimas de violência com ou sem filhos e com vínculos comunitários e familiares rompidos, e de tráfico de pessoas no estado de Alagoas. Oferece atendimento psicossocial e jurídico e diagnóstico da situação de violência. A formação para a notificação compulsória da VD é uma das prioridades.


Compartilhando saberes (@spd_sociedadeprotetora) | Bahia Em 1832 já prestava assistência a vítimas de VD praticada por senhores de escravos, e trabalhava com a força da comunidade para promover alforria e acolhimento para a população desvalida. Hoje, acolhe mulheres CIS e TRANS vitimas de VD com psicólogas, educação financeira e empreendedorismo para formação de rede.



Em breve divulgaremos mais informações sobre o perfil das iniciativas que se inscreveram neste Edital, além de conteúdos (filmes, séries, artigos, podcasts, etc) que nos ajudaram a entender mais a fundo sobre violência doméstica.


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