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Violência Doméstica, um problema de todos e todas: como se conscientizar e se engajar nessa causa

Atualizado: Ago 25

Em agosto, o Brasil completa 15 anos de vigência da Lei Maria da Penha - Lei nº 11.340 de 7 de agosto de 2006 que define que a violência doméstica contra a mulher é crime e aponta as formas de evitar, enfrentar e punir a agressão. Assim, aproveitamos essa data que marca um movimento multilateral de esforços para trazermos alguns caminhos para você entender mais e se envolver na agenda de defesa dos direitos da mulher.


Como falamos no artigo anterior, [leia: Enfrentamento à Violência Doméstica não é um assunto só de mulheres], desde 2020, nosso time de inovação social corporativa, em parceria com a Ambev, tem feito uma profunda imersão no tema Violência Doméstica. A ideia é buscar soluções que contemplem todos os aspectos relacionados a esse problema que, além de ser urgente, carece de políticas públicas efetivas.


Tanto o trabalho de empoderamento, nas mais diversas agendas (sensibilização e despertar do problema, acolhimento da mulher e seus dependentes, empoderamento e geração de renda, pesquisas e mapeamento, acompanhamento do processo de denúncias, entre outros) quanto o trabalho de medidas punitivas dos autores da agressão, são importantes para o combate à violência, em suas diferentes esferas (física, psicológica, sexual, moral e patrimonial), mas ainda não são suficientes. A violência doméstica é um problema estrutural e, por isso, surge a necessidade de um movimento coordenado com o poder público, empresas e a sociedade para o desenvolvimento de ações sistêmicas.


E mais do que nunca é urgente pensarmos nessas soluções pois, embora esse cenário catastrófico não seja novidade no país, ele se agravou durante a pandemia. Dados do projetoJusticeiras’, criado há um ano para o acolhimento de mulheres vítimas de violência doméstica, revelaram que, em 2021 a quantidade de denúncias saiu de 340 casos por mês para 658 denúncias em março. Ficar em casa deixou de ser sinônimo de segurança. Para muitas mulheres, o isolamento social passou a significar o combate a um vírus invisível e, ao mesmo tempo, passar mais tempo com seus agressores.


De acordo com a pesquisa feita pelo instituto Datafolha encomendada pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública (FBSP), cerca de 17 milhões de mulheres (24,4%) sofreram violência física, psicológica ou sexual no último ano. O que significa que uma em cada quatro mulheres acima de 16 anos afirma ter sofrido algum tipo de violência durante a pandemia no Brasil. A pesquisa ainda diz que essas agressões ocorreram principalmente dentro de casa e que os autores eram conhecidos das vítimas.


Apesar desse cenário de urgência, segundo dados do Inesc, checados pela Think Olga, em 2020 o governo federal não empregou todo o recurso que havia disponível para ações de combate à violência contra mulheres. O valor disponível e aprovado para a pasta de mulheres era de R$ 120,4 milhões. Porém, o gasto total foi de R$ 35 milhões. Já o valor destinado para casas de acolhimento não passou de R$ 2 milhões.



Fortalecimento de iniciativas que atuam de forma independente é essencial


Se por um lado há falta de investimento do Estado, no outro há grupos de mulheres que lideram diversas ações para o enfrentamento do problema. Muitas delas conhecemos por meio do Edital Ambev pelo Enfrentamento à Violência Doméstica, lançado em maio deste ano e focado em organizações que estão propondo soluções para o enfrentamento à violência doméstica em suas diferentes dimensões (física, psicológica, sexual, moral e patrimonial).


Das 412 mulheres que inscreveram suas iniciativas, 25% declarou que mora com 4 pessoas ou mais e vive com renda familiar entre R$ 1.255 e R$ 4.000. Além disso, do total de inscritas, 255 delas declararam que estão ou já estiveram em situação de violência doméstica, o que reforça o viés do problema estrutural enfrentado pela sociedade. Conheça as iniciativas selecionadas.


As mulheres são as que mais sofrem e mais se engajam na solução do problema. Elas têm puxado a agenda do enfrentamento à violência doméstica, mesmo sem apoio do Estado. Elas são as maiores vítimas e as protagonistas nessa luta. Até quando?


Faça parte dessa luta: se conscientize e se engaje nesse problema que é de todos e todas.


Buscar informações sobre as raízes do problema e toda a sua dimensão é um dos primeiros passos para apoiar mulheres que lutam contra o ciclo da violência. Gostaríamos de compartilhar filmes, séries, documentários, vídeos e podcast que ajudam a refletir sobre magnitude e tudo que envolve o tema.


Algumas obras são de conteúdo denso e impactante, mas são necessárias por abordarem a agressão contra mulher em camadas mais profundas e podem ajudar a reconhecer os padrões de comportamento ou como agir nesses casos.


Se conscientize



1 - Bom dia, Verônica (Netflix)


A série “Bom dia, Verônica” é um thriller policial sobre uma detetive que se envolve na investigação de um caso relacionado à violência contra mulheres. Não há sutilezas, é um retrato duro e violento do que passam muitas mulheres e pode ser gatilho para pessoas mais sensíveis ou que já vivenciaram situações parecidas.







2 - I May Destroy You (HBO/Stremio)


A série “I May Destroy You” mostra o processo de cura de uma escritora que é violentada após aceitar um convite para beber com os amigos e tudo que envolve o pós desse evento fatídico. A série tem um tom autobiográfico potente, reconta a história de estupro que a roteirista e atriz principal, Michaela Coel, sofreu.





3 - The Mask You Live In (YouTube)


Este é um poderoso documentário que mostra o que acontece quando os meninos são obrigados a usar a máscara de macho dominante e as consequências disso, como esconder sentimentos como raiva e tristeza podem afetá-los até a vida adulta.

Clique aqui para assistir.




4 - Precisamos falar com os Homens? (Youtube)


O documentário “Precisamos falar com os Homens? Uma jornada pela igualdade de gênero” é uma iniciativa da ONU Mulheres com o Instituto Papo de Homem. Ele aborda como se formam, se sustentam e de que modo podemos desconstruir os estereótipos de gênero nocivos, que perpetuam o nosso cenário atual.

Clique aqui para assistir.


5 - TEDx Quebrando o silêncio: como os homens se transformam | Guilherme Valadares




6 - TEDxFortaleza Violência Doméstica: por que elas não vão embora? | Juliana Wallauer



7 - Mamilos Podcast - Era uma vez...


“Era Uma Vez”, uma minissérie em podcast que se debruça sobre o tema da violência contra a mulher. O programa traz 5 episódios com informações e reflexões sobre o tema para que se possa não apenas evitar relacionamentos abusivos como reconhecer situações de violência e encontrar força e inspiração para romper estes ciclos.


Se engaje


Promotoras Legais Populares


As PLPs são lideranças comunitárias que atuam voluntariamente em suas comunidades na defesa, na prevenção de violações e na promoção de direitos. http://themis.org.br/fazemos/promotoras-legais-populares/


Justiceiras


Seja voluntário(a) nesse projeto Pró-Mulher: Orientação jurídica, psicológica, socioassistencial, médica, rede de apoio e acolhimento gratuita e on-line.

https://justiceiras.org.br/


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